
Mas e o direito de Macabéa? Seria uma injustiça esquecê-la. No entanto, sinto-me cruel, agora. É que eu toco para sentir. Só que desta vez eu toquei na ferida que não é minha. Mas, deixando as conjunções adversativas de lado, volto a falar em 1ª pessoa. Não é a pessoa de RSM, posto que ele morreu junto com Macabéa, imortalizado nas palavras de Clarice Lispector. É a minha primeira pessoa. É o meu direito. É o meu grito. Estou presa a quatro paredes. Pratico as ações que escrevo, e o eco revela a complexidade do grito. E uivo, e gemo, e tremo. Meu grito é agudo e grave. Pessoas sem alma formada me acham paradoxal. Mas não há pretérito nem futuro: o tempo é já. E já é o presente momento, provando que não há lógica na vida. Ainda que eu gritasse por todo o “já”, não cessaria minha carência. Por que sou ausente de mim, por que sou um ser gritante, por que do primeiro grito, nascem os outros. As pessoas de alma não formada se assustam por que são mudas. E volto a falar nelas, pois meus textos são para as Macabéas, embora só quem grite é quem me compreende. O grito remete à vida. A morte é um grito. Morri pela vida.